Arte e beleza através dos tempos

ATIVIDADE 8: Pesquisa sobre o ideal de beleza através dos tempos
Grupo: Vicolo

O padrão de beleza da sociedade imposto para homens e principalmente para as mulheres, sofre e já sofreu diversas mutações através dos tempos. Tudo depende do contexto histórico/social, dos recursos e inúmeros outros fatores. Hoje em dia, a mídia é a maior responsável por estabelecer esse padrão. Mas, durante a história da humanidade, esse poder passou por diversas mãos. O livro de Umberto Eco, "A História da Beleza" nos conta um pouquinho sobre todo esse processo e explica que essa análise não é exata e sim um resultado de diversos fatos históricos e sociais. Além do mais, essa obsessão com o belo vem de um espelho do próprio introspectivo e não de uma condição externa.

Apesar de algumas desavenças entre Grécia e Roma, os estilos artísticos e sociais das localidades tinham vários fatos em comum. Os sistemas políticos da aristocracia, democracia e as Cidades-Estado foram semelhantes entre essas sociedades. Pode-se dizer que Roma herdou várias características da Grécia antiga, como por exemplo os deuses que eram os mesmos, porém, com nomes e identidades diferentes.
Dessa forma, as artes e o padrão de beleza, que estavam sendo desenvolvidos, entre Grécia e Roma estavam interligadas. Na época, a maior representação de beleza era o corpo masculino e, não o feminino.
Por volta do século I a.C., ocorreram vários avanços na parte da arte, filosofia, poesia, matemática, entre outros campos de estudo. Sendo assim, o ideal de beleza era a proporção matemática das formas.
Nos ditos ginásios, os homens aprendiam desde crianças todas essas áreas do conhecimento sem deixar de glorificar os corpos. Nessas academias os homens eram ensinados que um corpo definido e musculoso era muito importante, também para a mente. Posto isso, as obras de arte da época eram de homens nus com seus corpos completamente à mostra para que fosse observada a proporção humana e o ideal de beleza que demonstrava força e habilidades físicas, inclusive para guerrear.


Estátuas greco romanas encontradas na Galeria Ufizzi.

Na Idade Média o cuidado com o corpo perdeu um pouco seu prestígio, uma vez que eram vistos como pecaminosos atos de higiene e embelezamento exacerbado. Além disso, o próprio tocar no corpo, o autoconhecimento e a modificação do mesmo eram estritamente proibidas pela Igreja, já que essa dominava a vida da população eticamente e culturalmente, dentre tantas outras esferas. Cuidados tão apreciados pelo Gregos e romanos foram completamente abandonados, já que afrontam às leis divinas. As obras pictóricas e esculturas da época cobrem o corpo todo praticamente. A beleza era consequência de uma vida pura, seguindo os preceitos católicos. Apesar disso, as mulheres ideais para o padrão eram as de lábios pequenos e rostos angelicais, traduzindo toda essa devoção e inocência valorizada na época. Os cabelos eram clareados com lixívia ou com o próprio sol, os lábios eram mordidos para ficarem rosados. Outro fato marcante da época era a valorização de testas grandes, para isso as mulheres raspavam uma parcela da parte frontal de seus cabelos e retiravam suas sobrancelhas. Em contrapartida, o padrão masculino de beleza era baseado na figura do rei e do poder. 



Obras da Idade Média encontradas na Galeria Ufizzi.

Durante o Renascimento, há um resgate dos valores humanistas e artísticos , além do apreço pelos padrões de beleza da Antiguidade. Pintores e escultores renascentistas ressaltam deuses, heróis gregos, santos e anjos exibindo corpos com músculos e nus. É bonito o que corresponde a tais medidas e o que se difere é considerado feio. Davi de Michelangelo, considerado até hoje modelo de perfeição das formas masculinas. Leonardo da Vinci e Michelangelo em suas obras dão destaque ao homem com gestos e expressões faciais. As mulheres exibiam longos cabelos, formas mais arredondadas, já que estava direitamente ligada ao dinheiro, uma mulher mais cheinha era mais rica que as demais. A Vênus, de Botticelli (O Nascimento de Vênus) é o arquétipo da beleza feminina inspirada na arte antiga clássica. 
A partir do século XVI, os pintores abandonam a idealização da beleza feminina e buscam retratar um corpo real.

O Nascimento de Vênus. 

A primavera.

Réplica da estátua de David.

O barroco tem sua origem na Itália no séc. XVII. No Barroco, há o predomínio da emoção e não o racionalismo, apresentava características fortes e vivas, seus detalhes buscam aproximar os seres humanos aos deuses. O sentimento e a beleza eram características fortes. Assim, a beleza não era só física, era algo comportamental, ampliada pelos adornos não naturais como perfumes, roupas e maquiagens. Havia mistura de luz e sombra nas pinturas, também notava-se a preferência pelas curvas e contornos em vez de figuras geométricas. Há uma clara manifestação de contrastes. A manifestação artística expressa a proximidade do divino com o humano. Dois artistas como Michelangelo Caravaggio (1571-1610) e Annibale Carraci (1571-1610), foram importantes pintores deste movimento. Assim, o homem compreende a natureza como infinita em sua diversidade e dinamismo e para expressar tal sentimento utiliza recursos como contrastes abruptos de luz e sombra, manchas difusas de cores, passagens súbitas entre primeiro e segundo planos, diagonais impetuosas, ausência de simetria, entre outros. De certa forma, o desapego pelas formas "ideais" de beleza e perfeição clássicas e a valorização da representação dos temas com base na experiência caracterizam algumas obras barrocas.

Giuditta decapita Oloferne.

Baco.

Atualmente, a mulher considerada "ideal" é aquela de cintura fina e corpo magro. Lábios carnudos e aparência jovem também são requisitos para entrar nesse grupo restrito da beleza. Existem dois padrões vigentes, o do corpo de modelo, extremamente magro e alto e o da mulher curvilínea porém de cintura fina, dando ênfase nos quadris e seios. Esse último por sua vez, se encontra mais presente nas Américas. O padrão de beleza depende do local, do contexto histórico e do grupo social, havendo assim mais de dois padrões presentes hoje no mundo. 

Gigi Hadid.

Kylie Jenner.

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